Importação tumultua mercado interno e derruba preço do leite em SC

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Claudio Fachel/Palácio Piratini

A maciça importação de leite em pó do Uruguai está contribuindo para tumultuar o mercado doméstico e derrubar os preços do produto no mercado interno. Toda a cadeia produtiva de lácteos é afetada, mas, quem mais sofre com essa situação é o produtor rural. Retratando esse cenário de preços em baixa, o Conselho Paritário Produtor/Indústria de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite) anunciou nesta semana uma redução de 5,6% nos valores de referência para este mês de outubro, o que significa diminuição de 5 a 7 centavos/litro sobre os preços do mês anterior.

O Conseleite reuniu-se em Florianópolis e projetou assim os valores para este mês: leite acima do padrão recua 7 centavos e vai para R$ 1,1990 o litro; leite padrãobaixa 6 centavos para R$ 1,0426 e leite abaixo do padrão cai 5 centavos para R$ 0,9478.

O presidente do Conseleite e também vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC), Adelar Maximiliano Zimmer,observa que as importações brasileiras de leite em pó provenientes do Mercosul ganharam força nos últimos meses e estão prejudicando a pecuária leiteira nacional. O volume mensal de importação está próximo a 25 mil toneladas (equivalente a 250 milhões de litros), o que significada 8,3 milhões de litros entrando no País diariamente, vindo, principalmente, do Uruguai.

A FAESC entende que, para o setor leiteiro nacional, é essencial que seja firmado  um acordo com o Uruguai limitando os volumes importados, como foi pactuado com a Argentina, que está habilitada a enviar 3,6 mil toneladas de leite em pó por mês ao Brasil. Essa importação prejudica diretamente os produtores de leite e derivados da região sul do País, principalmente dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Além disso, a queda dos preços do leite vem ocorrendo desde o mês passado e deve continuar até o fim do ano.

“Não há nenhuma necessidade de importação porque há leite em excesso no mercado doméstico”, assinala Zimmer. A partir de maio de 2016, a situação ficou mais preocupante pelo aumento do volume importado do Uruguai. Principalmente de leite em pó, que só pode ser importado para ser reidratado na região atendida pela Sudene, por força de normativas do Ministério da Agricultura.

A FAESC também pedirá a revogação da Instrução Normativa 26 do Ministério da Agricultura, para diminuir o impacto do leite em pó uruguaio na balança comercial brasileira. Além da importação, a demanda por derivados lácteos está retraída, em parte, pela perda do poder de compra de consumidores – em face da atual crise econômica.

PRODUÇÃO

Santa Catarina é o quinto produtor nacional, o Estado gera 2,8 bilhões de litros/ano. Praticamente todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 73,8% da produção. Os 80.000 produtores de leite (dos quais, 60.000 são produtores comerciais) geram 7,4 milhões de litros/dia.

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